Programa criado em 2004 arca com parte dos custos do seguro
Adesão a seguro rural, criado pelo governo federal em 2004, reflete positivamente na produção agrícola de regiões brasileiras. Entre os destaques de adesão ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), em mais de uma década, estão as regiões Sul e Centro-Oeste –referências na produção de soja e milho.
Essa é a conclusão do estudo publicado na Revista de Economia e Sociologia Rural, a partir de dados dos Censos Agropecuários de 2006 e 2017.
Para a avaliação, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará e de Santa Maria (RS), compararam informações das regiões Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste, registradas nos dois censos, a partir de um método de ponderação de variáveis.
Por exemplo, o artigo destaca a região Sul do país, considerada líder na adesão do seguro rural (PSR) que tem parte dos custos arcados pelo governo. Em 2006, 36,95% dos municípios gaúchos tinham feito adesão ao programa. Em 2017, este número saltou para 75,84% das cidades.
O valor da produção agrícola acompanhou o crescimento e passou de cerca de R$ 22 mil por estabelecimento para mais de R$ 63 mil, em 11 anos.
No caso do Nordeste, mesmo abaixo das demais regiões, foi possível notar crescimento, puxado pelos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Em 2006, apenas 0,45% dos municípios tinham contratado apólices do PSR.
Em 2017, eram 5,49% das cidades. Em relação à produção agrícola, os valores passaram de cerca de R$11 mil para R$16 mil.
Segundo o artigo, o crescimento –de adesões e do valor da produção– ficou evidente em todas as regiões analisadas e mostra que o programa fortalece a atividade agrícola ao reduzir os riscos enfrentados pelos produtores –como oscilações de mercados, pragas e variações climáticas– e estimular investimentos no campo.
Para o professor (UFC) e co-autor do artigo, Francisco José Silva Tabosa, ao aderir ao seguro, os produtores ganharam mais condições de investir no negócio e em resposta tiveram aumento da produção agrícola.
“O estudo pode mostrar como o governo pode alocar seus recursos, tornando assim o programa ainda mais eficiente”, diz Tabosa.
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