Aos 65 anos, Carlos deixa uma história de empreendedorismo, amizade e encontros. Proprietário de alguns dos bares e estabelecimentos mais conhecidos da cidade, tornou-se sinônimo de quem sabia receber, trabalhar e fazer a noite acontecer
Batatais perdeu na manhã desta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, uma personalidade popular e querida. Morreu, aos 65 anos, o empresário Carlos Roberto Alliprandini, cuja trajetória se confundiu, durante décadas, com a própria história da noite batataense.
Carlos morreu após complicações de saúde decorrentes de uma queda. A notícia encerra a trajetória de um empresário que construiu, com trabalho, criatividade e uma personalidade inconfundível, um nome que se tornou referência quando se falava em bares, encontros, diversão e vida noturna em Batatais e na região.
Filho de Sebastião Roberto Alliprandini (in memorian) e Terezinha de Jesus Alliprandini, Carlos era o filho do meio do casal, entre Teresa Cristina Alliprandini Riul e Alexandre Alliprandini.
O pai, Dr. Roberto, também deixou sua marca na história de Batatais. Advogado, contador, ex-servidor público municipal e ex-presidente da OAB local, foi lembrado, por ocasião de sua morte, em 2023, pela dedicação ao município e por sua contribuição ao direito e à administração pública. Carlos, à sua maneira, também construiu um capítulo próprio na história da cidade - não nos tribunais ou nos gabinetes, mas nas mesas de bar, nas conversas, nas amizades e nas noites que reuniam multidões.
Antes de se tornar empresário, Carlos foi bancário. Trabalhou no antigo Bamerindus, em Ribeirão Preto. Foi, porém, nos ramos de entretenimento, bares e automóveis que seu nome ganhou projeção. Ele esteve à frente de empreendimentos que fizeram parte da memória de diferentes gerações: Petiscaria e Choperia Quintal, Quintal Clube, Carro de Boi, Nove Car Veículos e, mais recentemente, a Fênix Motors, atualmente instalada no complexo do Posto São Paulo.
Entre todos esses empreendimentos, porém, um ocupa lugar especial na memória coletiva de Batatais: o Quintal, bar que se tornou ponto de referência e também seu “sobrenome”.
Falar do Quintal é falar de uma época, de um lugar e de um jeito muito particular de viver a noite. Instalado no alto da rua Humaitá, em frente à Igreja Santa Cruz, o estabelecimento foi, durante anos, ponto de encontro e endereço obrigatório para quem queria saber onde a noite estava acontecendo. Havia quem fosse pela música, quem fosse pelos amigos, quem fosse pela atmosfera e quem simplesmente soubesse que, naquela noite, em algum momento, todo mundo acabaria passando por lá.
Carlos tinha uma capacidade rara de entender a noite. Sabia trabalhar, sabia receber e, sobretudo, sabia criar um ambiente capaz de fazer as pessoas quererem voltar.
O Quintal também mudou com o tempo, mas jamais perdeu sua identidade. Primeiro, havia a famosa jaboticabeira, elemento que ajudava a compor a estética muito particular do lugar. Depois veio a marcante fachada de revestimento vermelho, seguida por uma decoração interior densa e característica, impossível de passar despercebida.
Muito dessa identidade também carregava a assinatura de Soninha, sua mulher, parceira de vida e presença fundamental na construção daquele universo.
Carlos e Soninha fizeram do espaço algo que ultrapassava a ideia de um simples estabelecimento comercial. O Quintal tinha personalidade, tinha cara, tinha memória, e tinha histórias. Muitas histórias.
UM ROSTO CONHECIDO, UMA PRESENÇA QUE SERÁ LEMBRADA
Carlos era popular. Seu nome era reconhecido por diferentes gerações e por pessoas dos mais variados círculos. Sua vida empresarial o colocou no centro de incontáveis encontros. Amigos, clientes, músicos, trabalhadores, famílias, jovens e antigos frequentadores passaram por seu caminho.
Mas havia também o Carlos fora do balcão, dos negócios e da movimentação da noite. Quem convivia com ele conhecia um homem extremamente ligado à família e, de maneira intensa, também aos seus cães.
Ele era apaixonado pelos border collies Gandhi e Gauss, seus companheiros inseparáveis. Era comum vê-lo caminhando com os dois pelas ruas de Batatais e pelo Bosque Municipal. Uma imagem simples e, talvez justamente por isso, uma das mais bonitas que ficarão na lembrança de muita gente.
FAMÍLIA
Carlos deixa a esposa, Soninha, companheira de sua vida e de tantos capítulos de sua trajetória. Deixa também os filhos, Diana e Diego, e o neto, José Bento, que certamente carregará consigo as histórias, os gestos e as lembranças de um avô que viveu intensamente.
Deixa ainda a mãe, Terezinha de Jesus Alliprandini; os irmãos, Teresa Cristina e Alexandre; os sobrinhos Leonardo e Juninho Riul; outros familiares e os muitos amigos que somou ao longo da vida.
DESPEDIDA
O corpo de Carlos será velado no velório São Vicente de Paulo a partir das 9h desta quinta-feira (3). O sepultamento está marcado para as 14h no Cemitério Municipal da Saudade, em Batatais.
Aos 65 anos, Carlos deixa uma história de empreendedorismo, amizade e encontros. Proprietário de alguns dos bares e estabelecimentos mais conhecidos da cidade, tornou-se sinônimo de quem sabia receber, trabalhar e fazer a noite acontecer
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