Especialista em comportamento do consumidor vê avanço dos GLP-1 como o início de uma nova economia baseada em escolhas mais conscientes
A popularização das canetas emagrecedoras ganhou uma nova dimensão: evidências científicas mostram que os medicamentos da classe GLP-1 já estão alterando a forma como as pessoas compram, comem e escolhem produtos.
Estudos publicados em 2026 demonstram que, após o início do tratamento, consumidores passaram a reduzir significativamente a compra de alimentos ultraprocessados, açúcar, gorduras e refeições de fast food, ao mesmo tempo em que aumentaram a procura por alimentos ricos em proteína e fibras.
Outra pesquisa, publicada no Journal of Marketing Research, identificou queda média de 5,3% nos gastos com supermercados e redução de aproximadamente 8% nas despesas com redes de alimentação rápida entre usuários desses medicamentos.
No Brasil, o movimento já começa a aparecer nas mesas dos restaurantes. Levantamento da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) mostra que 61% dos empresários do setor observaram mudanças no comportamento dos clientes relacionadas ao uso dos medicamentos, com redução de pedidos de pratos principais e sobremesas e aumento da procura por porções menores e opções mais leves.
Para Paulo Crepaldi, especialista em comportamento de consumidor e CEO da ING Marketing & Training, o impacto mais profundo dessa popularização não será sentido apenas nas farmácias, mas em toda a economia de consumo.
Wellness e saúde integral: academias, saúde mental, sono, recuperação física e serviços ligados ao equilíbrio emocional tendem a crescer de forma acelerada.
Indulgência premium: o sabor continuará sendo decisivo, mas a indulgência migrará da quantidade para a qualidade, favorecendo produtos gourmet e experiências mais sofisticadas em porções menores.
Ultraprocessados de compra impulsiva: snacks, doces, refrigerantes e itens de conveniência baseados em recompensa imediata podem enfrentar uma queda estrutural de demanda.
Operações focadas em volume: restaurantes e redes dependentes de combos grandes, sobremesas e consumo adicional precisarão repensar cardápio, ticket médio e estratégia de margem.
“Quando o princípio ativo se torna uma commodity —o mesmo remédio, com nomes diferentes—, a batalha deixa de ser química e passa a ser comportamental e estratégica”, afirmou.
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Narguilé foi o principal produto de tabaco utilizado por escolares de 13 a 17 anos no Brasil em 2019, com prevalência de 7,8%; o cigarro eletrônico veio em segundo lugar, com 2,8%
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