Atualização da cobertura reforça debate sobre vacinação de meninos e meninas
AAgência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou em 2026 a indicação da vacina Gardasil 9, para incluir a prevenção de cânceres de cabeça e pescoço no enfrentamento da doença causada pelo Papilomavírus Humano (HPV).
No Brasil, desde 2017 o imunizante já era aprovado para prevenir cânceres do colo do útero, vulva, vagina e do ânus, além de lesões pré-cancerosas, verrugas genitais e infecções persistentes causadas pelo vírus.
A medida reforça a vacinação como ferramenta central de saúde pública e amplia a compreensão sobre quem deve se proteger e como. Para a professora Silvana Maria Quintana, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, a atualização feita pela Anvisa representa, na prática, a ampliação da proteção ao incluir novos tipos de oncogênicos – genes com capacidade de induzir à formação de tumores e câncer.
“Com isso, a cobertura potencial contra câncer de colo uterino sobe de 70% para aproximadamente 90%. Com a aprovação da Anvisa para a proteção de câncer de orofaringe, cabeça e pescoço, o principal impacto é reforçar uma mensagem essencial para nossa população de que a vacinação é uma ferramenta eficaz para a prevenção desses tumores”, explica.
De acordo com Silvana, o HPV está relacionado ao câncer de orofaringe, cabeça e pescoço porque pode afetar mucosas da região genital, da cavidade oral e da garganta. “A transmissão ocorre por contato íntimo, seja pele a pele e inclui o sexo oral, que é uma das principais vias de infecção da mucosa da orofaringe. Na maioria das pessoas, a infecção pelo HPV é transitória, o nosso sistema imunológico vai dar conta de eliminar esse vírus, mas para alguns indivíduos a infecção fica persistente, ou seja, o HPV não vai embora e pode induzir a alterações das nossas células, aumentando o risco de evoluir para câncer”, relata a professora.
Especialmente na base da língua e nas amígdalas, estruturas que integram a orofaringe, essa associação entre HPV e câncer ainda é pouco conhecida.
“Durante muitos anos, a comunicação com a população ficou direcionada à infecção pelo HPV e câncer de colo uterino e principalmente ao exame de Papanicolau, procurando alterações pré-câncer. No entanto, existe um tabu, porque a infecção pelo HPV é considerada sexualmente transmissível. Tradicionalmente o câncer de boca, orofaringe, era praticamente exclusivamente associado ao uso de fumo e álcool. Esses permanecem como fatores de risco muito importantes para o câncer de boca, mas recentemente ficou clara a associação entre o câncer dessas áreas e a infecção pelo HPV.”
Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil registra cerca de 39 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço por ano, incluindo tumores que atingem regiões como boca, laringe, orofaringe, hipofaringe e nasofaringe. Em aproximadamente 80% dos casos, o diagnóstico ocorre em estágio avançado da doença, o que reduz as chances de cura e aumenta o risco de sequelas, como dificuldades para falar, engolir e respirar.
Quem deve se vacinar?
Segundo a professora, a versão nonavalente pode ser aplicada em pessoas de até 45 anos, no contexto da rede privada ou em situações clínicas específicas, mediante recomendação médica. Diferentemente da quadrivalente, a nonavalente ainda não está disponível no SUS. “A indicação da vacina não se modifica. Nós continuamos indicando para homens e mulheres de 9 a 45 anos, de acordo com a bula aprovada pela Anvisa.”
No SUS, segue indicada a vacina quadrivalente para meninos e meninas de 9 a 14 anos, em dose única. Pessoas com o sistema imunológico fragilizado também podem receber a vacina gratuitamente até os 45 anos. A professora destaca que tanto a quadrivalente quanto a nonavalente apresentam proteção duradoura, com níveis elevados de anticorpos por pelo menos 15 anos após a vacinação. Até o momento, não há recomendação de dose de reforço para quem completou o esquema vacinal corretamente.
Métodos de prevenção
Além da vacinação, Silvana reforça a importância da prevenção primária, baseada na educação em saúde. “A vacina é a principal estratégia de prevenção primária, mas ela não é a única medida. Para prevenção do câncer de colo, o rastreamento organizado, hoje com teste de DNA de HPV, é o principal método nas atuais diretrizes do Inca e do Ministério da Saúde.”
Já para cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço, ainda não há exame de rastreamento populacional. “Por isso, é importante que todos os indivíduos, durante a escovação dentária, façam uma visualização da sua cavidade oral, a base da língua, as bochechas, e que qualquer ferida, principalmente a que não cicatriza, ou aqueles indivíduos que tenham dor angular, rouquidão persistente, ínguas, procurem um atendimento. Essa consulta pode ser feita pelo otorrino, cirurgião de cabeça e pescoço ou iniciando pelo clínico geral. Para os fumantes e usuários de álcool, parem ou usem com moderação o álcool e parem o tabagismo.”
Conscientizar a população
Para a especialista, o reconhecimento formal de que o câncer de orofaringe também está associado ao HPV e de que a vacina pode preveni-lo, amplia a divulgação dessa informação e pode incentivar a adesão. “Temos uma expectativa que possa ter um potencial impacto positivo, porque até então somente o câncer de colo era associado à infecção pelo HPV. Com a ampliação da indicação, pode-se estimular a população a realizar a vacinação contra o HPV.”
(*) Estagiária sob supervisão de Ferraz Junior e Gabriel Soares
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