Nacional

Santos exporta mais microplásticos ao oceano do que retém em suas praias e canais

Mapa de risco pode orientar ações de limpeza, educação ambiental e monitoramento da eficácia de medidas como ecobarreiras


Agência Bori | 01/02/2026 | 04:00


Entre as fontes prováveis de microplásticos, estão a pesca, a navegação e os efluentes urbanos | Foto: Programa de Aceleração do Crescimento/Flickr

Uma pesquisa conduzida por cientistas do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) identificou os principais pontos de acúmulo de microplásticos no Sistema Estuarino de Santos, no litoral paulista, que abriga o maior porto da América Latina.

O estudo, publicado na revista Ocean and Coastal Research, mostra que a maior parte dos microplásticos, 68%, permanece suspensa na coluna d’água, deslocando-se continuamente com as correntes marinhas. 23% são transportados para o oceano aberto, enquanto 9% permanecem acumulados no fundo e nas margens do estuário.

Para chegar a esses resultados, a equipe utilizou um conjunto integrado de modelos numéricos — simulações computacionais que representam o comportamento do ambiente marinho. O estudo combinou três sistemas: um modelo hidrodinâmico, responsável por simular as correntes; um modelo de ondas de superfície e um modelo de deriva de partículas, que reproduz o deslocamento de milhares de fragmentos virtuais de microplástico.

Durante eventos de elevação extrema do nível do mar, como as ressacas, as partículas são empurradas em direção à costa, elevando significativamente a quantidade de microplásticos nas praias e margens de canais. As praias centrais de Santos, os canais urbanos e a região da Ilha Porchat, voltada para São Vicente, foram identificados como as áreas mais propensas à acumulação de microplásticos.

Já em períodos de mar mais calmo ou de nível mais baixo, as partículas se dispersam, permanecendo ativas na coluna d’água.

“Essa permanência prolongada aumenta as chances de ingestão das espécies marinhas, ampliando os riscos ecológicos e reforçando a urgência de políticas de controle”, alerta Arian Dialectaquiz Santo, oceanógrafo e doutorando na USP, um dos autores do estudo.

Segundo os autores, os resultados funcionam como um mapa de risco ambiental e podem orientar a formulação de políticas públicas e ações de mitigação, pois permitem identificar áreas prioritárias para monitoramento da qualidade da água e limpeza costeira.

“Em situações de ressaca, por exemplo, os órgãos ambientais e de defesa civil poderiam usar essas informações para prever a chegada de grandes quantidades de resíduos nas praias e preparar ações de limpeza preventiva. O mesmo modelo pode ser utilizado para avaliar a eficácia de medidas futuras, como a instalação de ecobarreiras, simulando diferentes cenários e comparando os resultados”, destaca Santos.

Entre as fontes prováveis de microplásticos estão os efluentes urbanos e as águas pluviais provenientes de áreas densamente povoadas, as atividades portuárias, os resíduos transportados pelos rios e as atividades de pesca e navegação, nas quais há degradação de redes, cordas e boias.

Para reduzir a poluição, os pesquisadores sugerem aprimoramento do saneamento básico e da drenagem urbana, o reforço de protocolos ambientais no Porto de Santos para evitar o extravasamento de pellets plásticos, o incentivo a campanhas de educação ambiental voltadas à população e aos setores náutico e pesqueiro, além de programas de limpeza focados nas áreas mais vulneráveis.

A equipe pretende expandir o estudo para abranger uma área mais ampla, incluindo a plataforma continental adjacente, e incorporar diferentes tipos de plásticos, com densidades e comportamentos variados.

Outra etapa futura será investigar o impacto de eventos climáticos extremos, como períodos de bloqueio atmosférico e chuvas intensas, sobre o transporte e a concentração de microplásticos.


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