Rubens Bernardes de Oliveira, 89, morreu em casa, subitamente, na segunda-feira (4)
Quase 64 anos atrás, em torno da mesa de um bar, um encontro entre amigos se desdobrou na fundação de um clube com aspirações quase que exclusivamente sociais em Barretos. O ano era 1955 e a intenção inicial do grupo de 20 rapazes era arrecadar recursos para entidades assistenciais durante os festejos do aniversário da cidade.
Foi assim que surgiu a associação Os Independentes e, por consequência, o embrião da Festa do Peão de Barretos, o maior evento country da América Latina.
Rubens Bernardes de Oliveira, à época com 25 anos, era um dos 20 rapazes e, na ocasião, atrelou para sempre seu nome à mais importante referência cultural sertaneja do interior brasileiro. Vivendo em Batatais desde a década de 60, ele morreu aqui, aos 89 anos, no último dia 4.
Desde a primeira festa, em 1956, quando o evento fora realizado sob uma singela lona de circo, muita coisa mudou.
Os novos tempos, no entanto, não respingaram alterações na chamada “tríade Independentes”, que prega o companheirismo, a lealdade e o idealismo -atributos que, no relato de um dos filhos de Rubens, Marcelo Prado Bernardes de Oliveira, ele nunca perdeu.
“Meu pai era uma pessoa muito simples, honesto, trabalhador e gostava das coisas muito direitas. Todos gostavam demais dele”, disse.
Nascido em Icem, pequena cidade paulista às margens do Rio Grande, Rubens se mudou com a mãe e os irmãos para Barretos ainda criança, com 8 anos. Sua mãe -que se tornara viúva quatro anos antes- havia decidido seguir a vida em um novo lugar.
Na cidade, distante 84 quilômetros, estava parte da família, incluindo tios paternos de Rubens habituados à condução de tropas e ao transporte de gados. Vem daí a aproximação dele com as coisas do campo.
O tempo correu, ele cresceu, estudou, fez amigos, brindou a vida, sonhou, realizou. E amou. Casou-se com Nilce Prado Bernardes de Oliveira -jovem de Orlândia que conheceu quando ela passeava na casa de parentes em Barretos.
Profissionalmente, ele estava bem colocado no antigo INPS (Instituto Nacional de Previdência Social). Mas Rubens e Nilce -já com três dos cinco filhos nascidos- almejavam mais qualidade de vida, o que incluía fixar raízes em uma cidade em que as temperaturas fossem mais amenas do que as predominantes em Barretos.
Foi assim que, em 1963, Batatais passou a fazer parte da biografia do casal. Transferido para a agência de Ribeirão Preto do instituto, Rubens se mudou com a família para cá e fez da cidade seu endereço fixo.
Viúvo há três anos e meio, ele deixa os filhos Eliana, 60, Elena, 58, Marcelo, 57, Eloisa, 54, e Maurício, 51; quatro netos -Aline, 29, Eduardo, 25, Marcela, 24, e Augusto, 20- e o bisneto Miguel, 3.
Seu corpo foi velado em Batatais e enterrado, na tarde do dia 5, no cemitério da Saudade.
HOMENAGENS
No dia em que Rubens morreu, a associação Os Independentes lamentou o fato e registrou o falecimento em sua página oficial.
Com a morte dele, apenas quatro dos 20 fundadores estão vivos: Horácio Tavares de Azevedo, Paulo Pereira, Antônio Renato Prata (o primeiro presidente) e Orlando Araújo (este, o primeiro locutor de rodeios).
Em 2015, quando a diretoria da associação prestou homenagens especiais a seus fundadores em uma solenidade comemorativa aos 60 anos do grupo, Rubens recebeu um diploma especial.
O grupo promove assembleias festivas anuais para comemorar seu aniversário de fundação (15 de julho) e, ao menos nas últimas 17 edições (desde 2001), Rubens marcou presença em todas.
Evento, que ocorreria entre os dias 8 e 12 de julho, não terá edição neste ano devido a restrições orçamentárias da administração
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