Editoriais

O tribunal inquisidor da internet

No Portal Batatais24h não se julga, não se expõe, não se condena, não se deduz. Noticia-se!


Editorial | 04/06/2018 | 19:06


No mundo complexo e conectado de hoje, é importante que todos tenham cuidado redobrado com o que escrevem e compartilham | Foto: B24h/Com Pixabay

“Cadê a matéria expondo motorista-estuprador-pedófilo?” “Tem que mostrar a cara dele para todo mundo ver, eu tenho um vídeo, querem?”

“Procurei no portal inteiro e não achei nada sobre o monstro que violenta mulheres e bebês em Batatais. Isso deveria estar em destaque, vocês estão defendendo bandido? São piores do que ele!”

“Como vocês do portal têm coragem de chamar de ‘suspeito’ o cara que ‘todo mundo sabe que é criminoso’?”

Esses são apenas alguns dos muitos questionamentos que o Portal Batatais24h recebeu na última semana.

A revolução proporcionada pelo advento da internet, principalmente das redes sociais, fez de cada um “jornalista” de seu próprio mundo. Um punhado de “amigos” ou “seguidores” no Facebook, Instagram, WhatsApp e afins é suficiente para produzir “repórteres, comentaristas, editores e colunistas” por todo lado.

O que muitos não sabem, ou se negam a tomar ciência, é que jornalismo é profissão, séria, e que é preciso estudar muito para que seja possível informar as pessoas com qualidade. Sociologia, antropologia, psicologia, filosofia e ética estão entre as disciplinas básicas de formação do profissional.

Não é por acaso que a mídia é comumente apontada como “o quarto poder”, tem a responsabilidade de dar voz aos sem vozes, tem o peso de ser olhos e ouvidos da comunidade.

Hoje em dia, basta ter uma ferramenta ao alcance dos dedos (no caso, computador, tablet, celular) para um ou outro se sentir jornalista. Se nem um diploma ou ampla experiência são suficientes para tornar alguém jornalista de verdade, imagine se “só o desejo” é capaz de tornar.

Jornalismo de verdade requer conhecimento no sentido amplo da palavra. Antes de pensar em qualquer fato a ser publicado, uma apuração minuciosa e uma dose abundante de responsabilidade precisam abrir o caminho. Na receita estão ética, respeito à legislação e cautela.

Claro que o jornalismo digital requer apuração e publicação ágil. Mas não se pode preterir responsabilidade em nome de nada. Nem da rapidez, muito menos do “furo”.

Não, caros leitores. Aqui neste portal imediatismo e sensacionalismo, busca desesperada por acessos ou compartilhamentos em redes sociais, definitivamente não são bem-vindos.

O motorista citado no primeiro parágrafo do texto, que já foi condenado pelo tribunal inquisitório das redes sociais em Batatais, é “só” suspeito. Uma pessoa só é legalmente “acusada” de cometer alguma ilegalidade quando há processo criminal contra ela. Isso, até aqui, não ocorreu. A prefeitura acertou ao romper contrato com o motorista, que foi flagrado numa situação no mínimo incomum. Mas, até o momento, ele não foi acusado, logo não será adjetivado, não será chamado de pedófilo, não terá publicada sua foto ou tampouco o vídeo que recebemos dezenas de vezes. Nós sabemos da nossa responsabilidade.

Já o suposto (sim, suposto) estupro que teria acontecido na cidade na noite de sábado também não estará aqui até que a situação seja mais bem esclarecida pelos órgãos responsáveis. Mas o envolvido, estando certo ou não, também já foi "condenado" pelo "Supremo Tribunal da Internet".

SEM PRÉ-JULGAR

Enfim, aqui não haverá pré-julgamento, exposição e condenação de quem quer que seja.

A Justiça existe para isso e nosso trabalho sempre foi e sempre será feito com base na legislação.

Aqui, quem comete um crime, antes de ser acusado formalmente, é, sim, “apenas” suspeito. Vale para qualquer um. Melhor assim, não?

Quem supostamente tenha cometido algum crime, não será exposto até que seja julgado e condenado pela Justiça, e não pelo tribunal da internet.

O objetivo aqui é produzir um jornalismo de qualidade, com credibilidade, baseado na investigação e apuração dos fatos por quem é de direito.

Entendemos a necessidade da busca pela audiência. Mas não vamos compactuar com nada que se aproxime de fake news (notícia completamente falsa), como temos visto com frequência na mídia, que são notícias com desinformação (que propositalmente ou não, confundem o leitor e o induzem a fazer julgamentos precipitados), descontextualização ou manipulação.

Nada que tenha como consequência a criação de informações de caráter falso (ou semi-verídica) de forma proposital, nada que busque atrair a atenção do leitor forçadamente fez, faz ou fará parte de nossa rotina.

Se serve de consolo aos que não se conformam com a propagação irresponsável de notícias, vale lembrar a importância da entrada em vigor do Marco Civil da Internet em 2015.

Desde aquela data, as empresas que mantêm plataformas digitais (incluindo o Facebook, por exemplo) deixaram de ser responsabilizadas judicialmente pelo conteúdo publicado por usuários. Cada um responde por seus atos.

No mundo complexo e conectado em que vivemos, é importante que todos tenham muito cuidado com o que pensam, escrevem e compartilham. A não ser que você se arrependa e apague imediatamente, seu comentário escrito em um momento de fúria e emoções à flor da pele ficará para sempre na rede. Pense nisso.


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