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Morre Mary, representante do samba, da comunidade negra e da educação

Maria Aparecida de Oliveira estava internada havia três dias e morreu na madrugada desta quarta


Melissa Toledo - Editora de Conteúdo | 16/10/2019 | 09:36


Maria Aparecida de Oliveira, Mary (1957-2019) | Foto: Acervo Casa do Samba

No Carnaval, é a quarta-feira que é de cinzas. Nos versos de “Piano da Mangueira”, escola de samba que a fazia transbordar de paixão, é no amanhecer da quarta-feira que a cabrocha pendura a saia.

E foi numa quarta, nesta, 16 de outubro, que uma das sambistas mais populares da cidade foi levar sua luz, amizade e alegria para outras dimensões.

Maria Aparecida de Oliveira, a Mary, 62, morreu na madrugada de hoje na Santa Casa de Batatais, onde esteve internada com complicações respiratórias nos últimos três dias.

Graduada em Educação Física, professora de educação infantil --atualmente lecionando na escola municipal do Jardim Anselmo Testa--, ativista da comunidade negra local, mãe, avó, tia, prima, pessoa querida por uma legião de amigos. Mary é conhecida justamente por sua personalidade multifacetada.

Mas uma delas tinha, literalmente, um brilho especial: o amor pelo Carnaval.

São incontáveis suas atuações no segmento de arte e cultura mais representativo de Batatais, mas foi na escola de samba Acadêmicos do Samba, sediada na Vila Lídia, que seu talento, criatividade e capacidade de liderança se destacaram e, mais do que presidente, ela se tornou “a cara” da agremiação.

Após deixar o posto, distribuiu conhecimento, mão de obra, suas dicas e, acima de tudo, sua amizade carinhosa em outras entidades carnavalescas.

Nos últimos desfiles, se dedicou especialmente a ajudar voluntariamente no barracão de alegorias da escola de samba Castelo, entidade que seu filho Gabriel Oliveira, que herdou seu apreço pelas artes, atuou como carnavalesco.

Seus conhecimentos a levaram também a, no início dos anos 2000, atuar como julgadora dos desfiles do grupo especial do Carnaval de São Paulo.

Ainda no Carnaval, Mary foi bastante atuante na imprensa local. Ora como entrevistada, ora como comentarista, através dos microfones da rádio Difusora Batatais expressou opiniões, conhecimento, simpatia e bom humor. No sambódromo local, por cerca de cinco anos participou da cobertura ao vivo na cabine da emissora comentando as apresentações das agremiações.

Teve também a alegria de ver de perto a escola carioca que fazia seu coração pulsar mais forte atravessar a avenida. Em 2010, junto com a equipe da Difusora, se emocionou com o que o verde, o rosa e a emoção que só a Mangueira desperta em quem ama a arte carnavalesca. “É impressionante, é um sonho”, repetia ela sobre o que viu na Marquês de Sapucaí.

Eu, Melissa Toledo, editora deste portal, abro agora um parêntese para continuar este texto em primeira pessoa.

A cidade e o samba perdem uma de suas grandes representantes. Mas nós --falo em nome da equipe da rádio Difusora, e em especial do programa Casa do Samba, o qual apresento ao lado de meu pai, “Compadre Batista”, há quase duas décadas-- perdemos uma grande amiga.

Perdemos alguém que era citada sempre com carinho em qualquer conversa, quer seja por seu talento, quer seja por suas “peripécias” em viagens e encontros. Esta corintiana fará falta. Faltará como nossa convidada sempre especial no programa, como comentarista nos desfiles locais, mas acima de tudo como a amiga alegre e bem-humorada que foi.

Nutrimos a certeza de que agora segue um caminho de paz e muita luz –com bastante nuances douradas, pinks, verdes e rosas.

DESPEDIDA

Mary deixa os filhos Gabriel e Amanda, os netos Clara, Lorenzo e Heitor, uma grande e unida família, incontáveis amigos e toda a comunidade do samba em luto.

Seu corpo está sendo velado no velório São Vicente de Paulo e será enterrado no cemitério da Saudade às 16h desta quarta-feira (16).


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